O ‘meninão’ 

Zé. Vou chamá-lo assim para não me comprometer. Aliás, todos os fatos citados aqui, embora reais, considere como ficção, entendeu? Zé era o tipo palhação, gozador de marca maior. Tirava sarro de tudo e de todos. Imagina o que sofreu o moço da crônica anterior na mão dele. O Zé veio de longe. Minas Gerais se não me engano. Mas não tinha nada de ‘mineirinho come quieto’. Era dono de um humor mordaz e escancarado. Eu adorava o cara por isso. Perdia os amigos, mas nunca uma boa piada. Deixei a timidez um pouco de lado pela convivência com ele. Já tinha viajado o mundo e, de quando em vez, contava uma e outra estória de algum canto do planeta. E era aprontador. Merecia um prêmio pela mente fértil para o ‘mal’. Cola no frasco de xampu? Tinta no tubo de pasta dental? Era com ele. Lembro de outro inquilino que tinha uma coleção de fitas cassete de várias bandas de rock. Pois bem. O Zé, muito sacana, pegou uma a uma das fitas e as deitou sobre um ímã de alto-falante. Imagina o desespero do inquilino colecionador ao descobrir que seu Jim Morrison, sua Janis Joplin, seu Santana, haviam ‘evaporado’ do nada. E o Zé na dele. Em outra ocasião, misturou talco perfumado no fumo de cachimbo de outro. Fumaça perfumada e irritação na garganta fizeram o outro inquilino estranhar o seu objeto de vício, mas fumou até o fim do pacote. Outra vez, soltou os parafusos do assento do motorista de um carro zero quilômetro que um inquilino chato recém-chegado havia comprado. Imagine o susto ao sentar e o assento escorregar para trás. Porém o Zé não ficou muito tempo conosco. Foi-se embora triste. Triste ficamos todos, pois apesar do tom avacalhador, Zé tinha bom coração...

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