As Crônicas do Wilsinho

Histórias de Pousada

Daí, num belo dia, por volta de meados dos anos 80, a família decidiu alugar os cômodos ‘mortos’ da casa. Não era um castelo, mas havia uns cinco cômodos vagos que só haviam recebido móveis sem uso. Camas, criados-mudos, armários. Tudo velharia. Mas, mesmo assim, a ideia de faturar em cima parecia boa. No começo apareceram pessoas bem ‘normais’. Moças e moços vindos de fora e que buscavam por aqui um emprego e um lugar pra morar. Não fomos os pioneiros na locação de quartos, mas logo a novidade se espalhou e o negócio começou a se tornar cada vez mais promissor. Em pouco tempo até a parte externa foi reformulada para abrigar inquilinos. E não só a parte externa. Lembro-me de dois salões enormes que, após alguns anos, viraram quatro quartos. E, é claro, onde mora muita gente rola muita confusão, fatos engraçados, fatos tristes e fatos inusitados. Então, vamos lá.

Capítulo 1 - O Tragicômico

Me lembro da ocasião em que um dos inquilinos, meio afetado, se é que vocês me entendem, estava preocupado, pois sua namorada, noiva, cacho, sei lá, estava querendo dar uma ‘volta’ nele. Era assim: ele muito jovem, mas cheio de muitas frescuras, e ela, uma mulher mais velha, decidida, sem meias palavras, tinham divergências sobre quase tudo. Desde aonde ir almoçar, até sobre que roupa usar. Ela, que de indecisa não tinha nada, resolveu um dia dar um fim à relação. Foi num sábado, se lembro bem, que ela veio e terminou tudo. Saiu ‘voada’ e logo nosso inquilino estava desesperado, aos prantos, e berrando: “EU VOU DESMAIAR!!! ME ACODE QUE EU VOU DESMAIAR!!!” Desmaiou nada, e continuou no choro até que minha mãe, com muita calma e zelo, preparou um chazinho para a criatura chorosa. Falou pra ele algumas coisas do tipo: “Vai dar tudo certo...”, “Ela volta...”, “Vai descansar e amanhã vocês vai estar melhor...”. Passaram alguns dias e nada dela voltar. Até que ela voltou. E com uma criança (que não era dele, óbvio). Conversaram e conversaram e conversaram. Não me lembro se minha mãe estava presente para ‘apaziguar’ a situação entre os dois, dando conselhos sobre relacionamento homem-fresco-mulher-decidida, mas me lembro muito bem que os dois reataram. Para o bem de todos. Pois se o cara chorasse mais um pouco, precisaríamos de botes salva-vidas para entrar em casa...

 

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